quinta-feira, 17 de março de 2011

Vender aspiradores


Donald "Darth Vader" Rumsfeld, da administração Bush filho, corrigiu o entrevistador: "Não diga ''vender'', diga ''apresentar''." O entrevistador, Jon Stewart, falava de como o governo se tinha dedicado a produzir (e a vender) uma retórica, com detalhe e persistência, para convencer os americanos da necessidade da invasão do Iraque. Os republicanos de Bush foram tão bons na arte da comunicação (noutros tempos chamar-lhe-iam propaganda) que escolhiam cuidadosamente as palavras, como se fossem mestres da venda de aspiradores tentando conquistar a confiança do cliente: "Não diga ''vender'', diga ''apresentar''." Em entrevista à SIC, esta semana, o primeiro-ministro mostrou, mais uma vez, a perseverança do seu discurso. Talvez a história não o venha a considerar um governante extraordinário. Mas terá de haver espaço para ele nos manuais da arte da sobrevivência e da venda de aspiradores. Disse várias vezes a palavra "confiança". Já não funciona, mesmo que use a técnica da repetição, do ultraje e do martírio. No final da entrevista, estou certo que repeti a expressão facial de Jon Stewart diante de Rumsfeld, uma cara de cansaço, de incredulidade, uma cara de "vá lá, agora a sério". Os portugueses começam a convencer-se que não há muito espaço de manobra para evitar as medidas impostas pela UE (qualquer que seja a cor do governo) e que as palavras de Sócrates são como a festinha da enfermeira na nádega antes de perfurar a carne com a agulha. O primeiro-ministro vende confiança onde não há esperança. De que vale a um doente perfurado se não há cura à vista?

Hugo Gonçalves - Jornal i

3 comentários:

S* disse...

Confiança é aquilo que ele destruiu.

L* disse...

Eu vi essa entrevista...sem comentários...

Fi disse...

Confiança, esperança, optimismo e muitas outras coisas